PARTE 1

PARTE 1 – O SACERDOTE E O FEITICEIRO

Geisel, o Sacerdote

Moita, é o Alemão

          A ditadura estava no seu oitavo ano, no terceiro general. Medici cavalgava popularidade, progresso e desempenho. Alto índice de aprovação, economia crescendo, renda per capita aumentando. Porém, apesar dos números, Medici governava o Brasil com a contínua supressão das liberdades individuais e de censura a imprensa. Grandes artistas, como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil estavam exilados. A violência era muito grande, com mais de 2500 casos denúncias de tortura.

         Ernesto Geisel, até se tornar presidente, ela um desconhecido para a maioria dos brasileiros. Seu apelido era Alemão, mas procurava distanciar-se da cultura de sua família a todo custo.

         O pai de Geisel veio para o Brasil e 1883 e se fixou no interior do Rio Grande do Sul. Eles viviam no pobreza, na miséria. August, pai de Geisel era professor primário quando se casou com Lídia e teve cinco filhos com ela. Ernesto Geisel era o caçula.   Quando Geisel entrou na escola descobriu-se que ele tinha um problema nos olhos, uma espécie de estrabismo. Mesmo assim freqüentou a escola e se formou como um dos melhores alunos. Em 1920 entrou para o Colégio Militar de Porto Alegre. Formou-se tenente de artilharia de um exercito que ele considerava frágil e militarmente insignificante.

           Os tenentes dos anos 20, estavam prontos para salvar o Brasil dos “casacas”, nome que davam à elite civil que governava o país desde o Império. Rebelaram-se em 1922 e 24.

          A Revolução de 1930, que colocou Getúlio Vargas. Relembrando, Getulio era o candidato da Aliança Liberal, que se formou após a indicação de Julio Prestes, da oligarquia paulista pelo presidente Washington Luis. Na eleição, quem venceu foi Julio. Porém, o vice de Getulio, João Pessoa, foi assassinado e sua morte foi o estopim da crise, causando o golpe de estado, onde os tenentes tomaram as ruas.

         Nesta época, Geisel foi transferido para o Rio de Janeiro com a missão de levar 4 canhões para a Paraíba. Ele acabou ficando 4 anos em João Pessoa.

         Em 1932, ele voltou para São Paulo para combater a Revolução Constitucionalista. Depois, voltou para o quartel paraibano. Lá, foi nomeado secretário estadual da Fazendo, Agricultura e Obras Públicas em 1934. Alguns tempo depois veio para o Rio trabalhar na Escola de Artilharia.

         Cinco anos depois de triunfar, o tenentismo estava dissolvido em torno de três atrações: fascínio pelos casacas, o comunismo e o fascismo. Geisel dobrava a direita.

         Em 1935, Luis Carlos Prestes voltava de Moscou e promoveu a revolta do comunismo. O governo de Getúlio Vargas, em meio a repressão aos comunistas, extraditou a mulher de Prestes, Olga Benário. O autor cita que Geisel apoiava a deportação de Olga.

          Em 1937, o Ministro da Guerra e o palácio do Catete armaram o golpe militar para cancelar a eleição presidencial e prolongar a permanência de Getulio. A essa ditadura, deu-se o nome de Estado Novo.

         Ernesto Geisel casou-se com uma prima, Lucy, em 1940 e teve 2 filhos com ela, Orlando e Amália. Pouco depois disso, em 1939, começava a segunda guerra mundial. O posicionamento do Brasil balançava entre os dois lados. O Elio revela que a posição estratégica do extremo leste, em Natal, um caminho curto para o transporte aéreo sobre o Atlântico.,seria essencial para os EUA, caso eles entrassem na guerra. Isso não permitia a Vargas, uma posição de neutralidade. Depois do bombardeio a Peal Habor, os EUA foram a luta, desembarcaram em Belem, Natal e Recife, Vargas então rompeu relações com o Eixo em 1942 e se aliou ao outro lado.

           No inicio de 1945, Geisel foi mandado a uma Escola de Comando Kansas. O autor diz que Geisel foi um cara que participou de 2 golpes, reprimira 3 levantes mas foi mantido longe da maior guerra da historia mundial.

          Na verdade, o autor diz que as inquietações de Geisel eram muito mais relacionadas a qualidade do Exercito em que vivia, do que os grandes problemas nacionais. Para ele, era um exercito desequipado, ineficiente, dividida em panelinhas de generais.

       Ele voltou dos EUA em 1945, terminando o curso de especialização e conseguiu permanecer no Rio.

Uma dor que não acaba

       Em 1945, Getulio tentava embaralhar as eleições presidenciais. Porém, a disputa desta vez era entre dois militares, Dutra e Eduardo Gomes. Por isso, o Exercito tratou de garantir as eleições, tomando o palácio Guanabara, e Geisel esta na linha de frente.  Isso sinalizava a determinação da rebeldia militar. Geisel e o militar Souto, entraram no Palácio e depuseram Vargas.

        Geisel passou a ser chefe de uma das sessões da secretaria geral de Conselho de Segurança Nacional, que era um instrumento de militarização do poder presidencial.  Quem o colocou nesse cargo foi Álcio Souto, o mesmo que entrou no Palácio com ele para depor Getulio. Esse general virou amigo de Geisel, mandou-o para Montevidéu como adido militar.

        Chegado as eleições de 1950, Getulio Vargas voltou com força popular. Geisel contou que foi uma das maiores decepções que ele já teve.Durante toda a agitação militar do governo Vargas, Geisel manteve-se no quartel. Elio diz que até as pedras sabia que Geisel detestava Getulio.

        Em agosto de 1954, Vargas viu que a tropa ia novamente ao Palácio para depô-lo. Porém, antes disso, Getulio se suicidou. A vice dele, Café Filho assumiu a presidência, cumprindo o final do mandato de Vargas.

        Gesiel foi mandado para a Petrobras, que mal havia completado um ano de vida. Aconteceram as eleições e Juselino Kubtischek se tornou presidente.  Pouco depois disso, um novo golpe: a Novembrada. O general Lott derrubou o presidente da Câmara dos Deputados e entregou o Catete ao presidente do Senado. Esse golpe serviu para assegurar a posse de Juselino.

         Geisel foi designado comandante do grupo de canhões em São Paulo e lá ficou mais ou menos um ano. Neste tempo, o filho de Geisel faleceu num acidente de trem. Essa tragédia abalou fortemente Geisel, tanto que por anos, a família não pronunciou o nome de Orlando perto de Geisel. Essa dor enorme, é a justificativa do nome do capitulo “uma dor que não acaba”.

O perigo vermelho

         Logo após a morte do filho, Geisel foi mandado para o Rio, onde exerceu a função de representante do ministro da Guerra no Conselho Nacional do Petróleo.  Nesta época, o comunismo avançava geográfica e politicamente. Gesiel acompanhava a expansão soviética num caderno, anotando quando e onde ocorreram as invasões. Pelo mundo, o Partido Comunista se expandia. No Brasil, o PC conquistava uma grande elite cultural, como Jorge Amado, Carlos D de Andrade, Portinari.

       Nestes anos agitados de esquerda e direita, os militares mostraram a total desordem em que se encontrava o exército.  A direita armou golpe contra Getulio e um ano depois um golpe para impedir a posse de Juselino. Lott deu um golpe de direita para garantir a posse. A maioria dos generais apoiaram os dois golpes, demonstrando total indisciplina, excerto, segundo o autor, Geisel, que se constituiu um caso raro.

       Em 1960, ocorreram novas eleições, desta vez entre o general Lott e Jânio Quadros. Gesiel foi convidado para chefia do serviço secreto de Lott.

Um general da (i)legalidade

        Janio Quadros chegou a presidência. Porém, menos de um ano depois, Janio renunciou. A cadeira cabia ao vice João Goulart que, além de ser considerado hostil pelos generais, estava no lugar errado na hora errada. Estava visitando a China Comunista.  Como estava longe, assumiu a presidência Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara. Geisel foi nomeado chefe do Gabinete Militar.

       Pensava –se  em impedir Goulart de assumir. Os ministros militares deixaram bem clara sua oposição a pose de Jango. Ao mesmo tempo, o Partido Comunista colocava seus militantes as ruas com uma palavra de ordem: Legalidade.  Esta campanha da Legalidade mobilizou greves em todo o país. Leonel Brizola pronunciou esta palavra, que demarcaria a crise e haveria de colocá-lo na história do país.

        O comportamento de Jânio desmoralizou a direita, a falta da figura de um usurpador desarticulava os golpistas. Portanto, o golpe estava tecnicamente destruído.

       O deputado Tancredo Neves foi ao encontro de Jango, que se encontrava em Montevidéu, Lá, Tancredo encaminhava detalhes de como seria Jango empossado: após a aprovação de uma reforma constitucional que iria instalar no Brasil o regime parlamentarista.

        A posição de Gesiel foi bastante antagônica, já que antes, batalhou pelo golpe. Depois, batalhava pela posse de Jango e acabou com a Operação que pretendia promover um atentado contra o avião de Jango.

1964

        Durante o governo de Jango, Geisel foi mandado para Curitiba, num comando de primeira classe. Jango através de um plebiscito, restabelecia o presidencialismo. A divisão militar aberta em 1961 criara manifestações extremadas, de esquerda e direita.

       De volta ao Rio, Geisel se transformou num perfeito conspirador, Participava de reuniões que pretendiam derrubar Jango. Castello Branco se uniu ao movimento.  No começo de março, preparava-se a insurreição. Dado o golpe, o autor não entra em detalhes neste ponto.

         João Goulart foi o terceiro presidente que Geisel ajudou a depor. Foi nomeado chefe do Gabinete Militar de Castello Branco, o mesmo posto que ocupou em 1945, 54 e 61.

        Em 1965, lançou-se o AI2, que suspendeu as eleições diretas. Nesta época discutia-se participação do exercito na política, a indisciplina geral, como se o Exercito fosse o fiador do governo.

      Apesar de todas as dificuldades, em 1966, Castello Branco produziu a maior reforma militar do país: a rotatividade dos generais.  Esse sistema previa que os generais deveriam ser levados a reserva obedecendo a três condições. Primeiro, o limite de idade. Segundo ninguém podia ser general por mais de doze anos. Por ultimo, 25% do  quadro de generais deveria se renovar a cada ano.

         Geisel obteve muitas derrotas durante sua permanência no Gabinete Militar. Tudo que ele propunha, era recusado. Para piorar, seu desafeto político, Costa e Silva, se transformou no sucesso de Castello Branco.

O pijama togado

        Com Costa e Silva na presidência, Geisel foi mandado para o Supremo Tribunal Militar. Lá Geisel foi um juiz duro e confessadamente parcial, dizendo que em determinados casos, condenou conforme sua convicção. Foi implacável com réus políticos, generoso no julgamento de crimes militares.  

        Tinha-se o raciocínio de que a questão da tortura era uma campanha esquerdista. Como o governo sustentava que não havia tortura, quem dissesse o contrário era uma esquerdista interessado em desonrar as Forças Armadas.

       O autor diz que Geisel fazia restrições a ditadura de Costa e Silva por Costa e Silva, e não pela ditadura.

       Em 1969, o general descobriu que sofria de pancreatite aguda. Quando foram tirar sua vesícula , acabaram fazendo uma transfusão de sangue, e Geisel pegou hepatite. Pouco tempo depois, Medici nomeou Geisel para Presidente da Petrobrás.

Golbery, O feiticeiro

Criptocomunista

       Golbery era casado com uma mulher chamada Esmeralda, que sofria alucinações e crises psicóticas. Por esta razão, o general quase não saída de perto dela.

       O autor fala dos gostos do general, como sua paixão pela leitura, seu poema preferido e sua sabedoria nas artes. Golbery saiu da Escola Militar em 1930. Sua participação na revolução deste ano limitou-se a entregar uma carta e recolher folhetos comunistas. Foi neste momento que teve contato com o comunismo. Mais tarde haveria de se classificar como um criptocomunista literário.Foi mandado para o Regimento de Infantaria e combateu na Revolução Constitucionalista de 1932.

       Havia um namoro entre Golbery e o PC. O partido tentou recrutá-lo através de contatos clandestinos. Golbery diz que ‘sai fora’, mas seu nome foi achado num caderno e foi feita uma denúncia contra ele. Porém o caso foi desfeito. O autor comenta nas notas de rodapé que toda vez que tentou falar sobre o comunismo, Golbery se mostrou pouco receptivo.

       Em 1939, Golbery entrou no Catete detestando o Estado Novo e Getúlio Vargas. Neste período, planejava-se a entrada do Brasil na guerra, contra a Alemanha.

      Três anos depois embarcou para o Kansas. Lá, através de um exame médico, descobriu-se que ele tinha lepra.Quando regressou ao Rio de Janeiro, foi designado para a Escola Superior de Guerra.

O Escriba

       Conhecida pelo apelido de Sorbonne, a Escola Superior de Guerra (ESG)- 1950- era produto de um sincero interesse da cúpula militar pelo aprimoramento intelectual dos oficiais superiores. A escola juntava civis e militares num curso de mais ou menos 1 ano, era uma maratona de estudos a respeito dos problemas do país. A escola era vista como um multirão intelectual que repensava o Brasil.

        No Brasil, vigorava o Estado Novo  e a censura na época. Que proibia a exibição de filmes como “O grande ditador, de Charles Chaplim”. E uma onda anti-comunista  crescia no país. A expressão Cortina de Ferro e Guerra Fria pairava sobre o mundo. A perseguição aos Comunistas aumentava.

       O Marechal Dutra assumiu a presidência em janeiro de 1946, e pediu a repressão imediata aos comunistas novamente. O Brasil foi o primeiro país do chamado mundo ocidental a romper relações com Moscou. O PCB tornou-se então ilegal, em maio de 1947.

        Em 1952, Golbery lançou “Aspectos Geopoliticos do Brasil”- trabalham a questão da segurança Nacional, a visão pessimista que ele tinha da democracia. O remédio contra a decadência, era para ele o fortalecimento do Estado e a industrialização do país. Idéia de Conceito estratégico.

        Política Americana do Período: Neocolonial e Neomercantilista.Os funcionários americanos queriam criar e manter um fluxo de matérias-primas brutas brasileiras.Eles não queriam que o Brasil desenvolvesse uma capacidade industrial competitiva.

      Em 1950 Oficiais envolvidos em conspirações contra o governo recebeu o apelido de “fritadores de bolinhos”.

     Memorial dos coronéis- assinado por 81 oficiais superiores, contra o aumento do salário mínimo.Manifesto dos Generais- assinado por 30 generais, renuncia do presidente

       Em 1954, os fritadores de bolinhos mudaram para o palácio do Catete e Golbery continuou na ESG, dando inicio ao mais influente ciclo de conferência: “O planejamento e a Segurança Nacional”.  Publicações: Livro ‘Planejamento Estratégico”, “Planejamento Estratégico”, apostilas de estudos da ESG.

Pés de Veludo

         Ele era um homem misterioso. “Não era afirmativo, andava com pés de veludo, Acho que da equipe de então, só o presidente o conheceu”, recordaria José Aparecido de Oliveira, secretário de Jânio Quadros.

        Uma parte dos ‘fritadores de bolinhos, começaria a formar a “Turma da Casa da Borracha”. Golbery se correspondia com o jovem tenente Heitor Aquino Ferreira.

        Golbery tentava reformular o Conselho de Segurança Nacional, dividindo-o em Camaras e separando a figura do seu secretário-geral da do chefe de Gabinete Militar. Conseguiu montar uma rede de telex. Abastecia a presidência com sinopse e flashes, além de boletim diário. No fim de cada mês elaborava um relatório de 50 paginas e uma Estimativa ultra-secreta, para Jânio. Começava também, a organizar um arquivo com fichas de funcionários e políticos, sobretudo de esquerda.

      A Casa da Borracha se transformou num acampamento de militares. Golbery movia uma cúpula que funcionaria como uma unidade de guerra psicológica ,um serviço de censura e uma rede de escuta telefônica.

       No entanto a censura de Golbery foi derrotada. A reação popular ao golpe pusera em movimento um mecanismo que Golbery descrevia com freqüência “O exercito é um navio. Ele fica imóvel, até que se mexe um milímetro numa direção. Então o resto vai junto”. Em Fevereiro de 1962, o presidente João Goulart, promoveu o coronel. Nascia então o general Golbery.

O paliteiro do IPÊS

       Augusto Trajano de Azevedo , dono da Indústria e Comércio de Minérios,a Icomi, sócio da Bethlehem Steel e da Hanna Mining, amigo do banqueiro David Rockefeller.

       Antonio Gallotti era o presidente da maior empresa privada do país, a Light, companhia canadense que controlava os serviços de energia elétrica do Rio de Janeiro e SãoPaulo. Eram pessoas influentes no governo Goulart.

       O empresariado criou o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, IPÊS. O IPÊS era apolítico e destinava-se a estimular pesquisas e debates a fim de contribuir para o progresso econômico e fortalecer o regime democrático do Brasil. Teve uma caixa clandestina, e dela ficou o registro na gravação de uma conversa do embaixador Lincoln Gordon com o presidente americano John Kennedy,do final de junho de 1963,na Casa Branca.Gordon pediu a abertura de um fundo clandestino de financiamento de operações políticas.

        A maior fonte de despesas do IPÊS era seu serviço de divulgação.Em 1963, lançou 2,5 milhões de impressos, entre livros, apostilas e folhetos. O instituto patrocinava também editorial e reportagens na imprensa. Os principais jornais e emissoras do país tinham conexões com o IPÊS. O instituto existiu numa época de proliferação de organizações conservadoras e sobreviveu a todas.

No palácio

        Aos 52 anos, Golbery entrara pela terceira vez no palácio. Dessa vez estava no coração do regime e do governo. Triunfara como conspirador: os fritadores de bolinho estavam no poder. Golbery, era a um só tempo chefe do serviço de informações e conselheiro direto do presidente. Utilizou essa influência para articular um plano moderadamente reformista e foi um defensor tenaz da extensão da permanência de Castello no poder.

        Pelo calendário institucional, deveria haver uma eleição direta em outubro de 1965 e dela sairia um presidente para ser empossado em 15 de março de 1966. A cassação de JK interessava a Carlos Lacerda, governador da Guanabara, candidato a presidência pela UDN.Interessava a Costa e Silva.Interessava também ao palácio, onde se cozinhava a prorrogação do mandato de Castello.

        Em setembro de 1964  Golbery enviou a Castello uma estimativa em que via o governo diante da oposição de duas coligações políticas. Uma ficava à direita, e ele a chamava de frente revolucionária, avançada ou insatisfeita. A outra, á esquerda denominada anti ou contra revolucionária. Golbery sonhara com uma manobra que permitisse a Castello disputar a reeleição habilitando-se a um  mandato de cinco anos, que estenderia seu governo até março de 1969.

         Em meados de 1964, noutra articulação, mais modesta, o marechal teve seu mandato prorrogado por um ano, até 15de março de 1967, quando deveria empossar um sucessor escolhido em pleito direto .Para Golbery a vitória da prorrogação cumprira dois objetivos:num congelara Lacerda,noutro postergara uma eleição que poderia levar ao julgamento do regime. Conseguida a prorrogação do mandato de Castello,Golbery começou a tratar de Isabel,nome em código da operação política que deveria postergar a eleição de onze governadores.

        Na tarde de 27 de outubro, a desordem militar manipulada pelo ministro da Guerra, obteve de Castello um novo Ato Institucional, chamado AI-2 o primeiro a ser enumerado. O ato reabria a temporada de casações, diluía o Supremo Tribunal Federal lesava o Congresso, extinguia os partidos políticos e acabava com a eleição direta como forma de escolha do presidente da república.  O ministro da Guerra general Arthur da Costa e Silva, tornara-se presidente eleito. São conhecidos 22 documentos de análise política preparados pelo SNI para leitura de Castello ou ciências dos ministros. Quase todos escritos por Golbery.

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