PARTE 2

Publicado: julho 2, 2010 em PARTE 2

  

PARTE 2 –O CAMINHO DE VOLTA 

A costura

O peso do irmão

Eleições de 1973- quem seria o sucessor de Médici? Dois caminhos apontados:  permanência ou candidaturas.Principal nome era Ernesto Geisel. Segundo: general Affonso de Albuquerque Lima se fosse promovido, ameaçaria os planos de Médici a respeito da sucessão. Era proibido levar a questão pra fora do planalto.Orlando Geisel ministro do exercito, irmão de Ernesto, fez uma manobra, que tirou Albuquerque Lima da tropa e dissolveu o condomínio de generais que controlava o exército na época. Além disso,  o ministro proibiu a  divulgação pelos meios de comunicação qualquer manifestação de autoria ou referente a Albuquerque Lima.Geisel não movia um centímetro.Era o candidato prodígio.Outro dado que vale apena destacar é que Geisel nunca se opôs as estratégias de Médici. Se Médici quisesse continuar no governo que continuasse. Geisel teve no irmão seu cabo eleitoral. Não se sabe ao certo quando os dois conversaram pela primeira vez de sucessão presidencial, mas segundo o general, o assunto veio durante uma conversa no final de 1972.

A turma da Candelária 

Geisel em seu gabinete na Candelária vivia cercado por uma pequena rede de colaboradores. Todos os amigos, militares e veteranos conspiradores. Golbery acreditava que a melhor solução para o país seria Geisel com o presidente. Juntamente  a Golbery estava o marechal Cordeiro de Farias e o marechal Ademar de Queiroz, o Tico-tico.    

Por conta do passado comum de conspirações, Tico-tico e Cordeiro foram procurados em janeiro de 1972, por coronéis linha dura. Geisel tinha 3 escudeiros em seu gabinete.O general Antonio Luiz de Barros Nunes, o cacau; o coronel Gustavo Moraes Rego e Heitor Ferreira. 

Fora do gabinete, instalado na chefia do Gabinete Militar no palácio do Planalto, ficava o general João Batista de Oliveira Fiqueredo.Ao contrário dos CDFs convencionais, como Prestes, Geisel e Golbery, era extrovertido, desbocado.Depois de Orlando era a principal peça na burocracia militar do governo.Fazia saber na Candelária parte do que ouvia no Planalto.Golbery classifica como decisiva a participação de Figueiredo na sucessão presidencial.A sucessão alinhava 3 competidores: Geisel, a prorrogação do mandato de Medici e generais-coronéis, engenheiro encrenqueiros e a figura do general Jayme Portella. Naqueles anos, foram feitas diversas censuras aos jornais, impedindo que fosse dada qualquer informação a respeito da sucessão presidencial.   

Um voto, o voto        
              Emilio Medici e os irmãos Geisel formaram um triângulo político. A Candelária esperava um sinal do planalto nos primeiros meses de 1973.No dia 13 de fevereiro de 1973 Heitor Ferreira encontrou-se em Brasília com Figueiredo. O general estava assustado queixava-se que estava tudo no ar. Detectara um novo  surto continuista, envolvendo até mesmo o comandante do III Exército. A permanência de Orlando Geisel no ministério parecia-lhe essencial: “Não pode sair. Saindo pode alterar tudo.” Heitor anotou uma linha onde se lê: “ Golbery e Geisel”. É muito provável que essa nota contenha um dos mistérios da sucessão de 1973. Que Golbery e Geisel estavam separados era uma mentira absurda. 

Médici desprezava Golbery por dirigir uma empresa americana depois de ter passado pelo SNI, onde conheceu “ o direito e o avesso de todos os homens importantes do país.” Na tarde de 15 de março o senador Vitorino Freire, entrou na sala de Delfim: “Estou preocupado com uma informação que me deram a seu respeito.Informaram ao ministro Orlando Geisel que você estava chefiando uma campanha ou operação continuista, quando é notório que o presidente Médici não deseja permanecer no governo”.   

No dia 19 de maio, o ministério esperava no aeroporto de Brasília,o desembarque de Médici.Na tensão desses meses, produzidas pelo silêncio de Médici, circularam diversas manobras.Na Candelária Geisel já discutia nomes para sucede-lô na Petrobras e para acompanhá-lo na chapa.Em Brasília o chefe de segurança do Planalto estudava compor o novo ministério. A partir daí, foram, registradas várias conversas entre Geisel, Medici, Heitor Fereira, Oralando Geisel, enfim após vários encontros, foi eleito o presidente da República Federativa do Brasil: Ernesto Geisel. Teve um voto apenas, o do Medici. 

Primeiras encrencas     

Ernesto Geisel era racional, nacionalista, autoritário e moralista, triunfalismo não fazia o seu gênero e irracionalismo para ele era injusto. Chegaria à presidência com 66 anos e quase 50 de serviço público; sem equipe nem projeto ele se indagava: “Só num país como o Brasil, na situação atual eu poderia chegar à presidente da República”. 

Geisel mudou-se para a residência oficial do ministro da Agricultura, nos fundos do Jardim Botânico. Ele tinha apenas sete meses para decidir o que fazer com o Brasil e três pessoas com quem ele conversava diariamente: Golbery, Heitor Ferreira e Moraes Rego. Eles se reuniam todos os dias no fim da tarde, e Heitor Ferreira anotava idéias e desejos que Geisel enunciava em suas conversas, sendo que, a preocupação da época era com racionalidade burocrática.   

No dia 1º de setembro de 1973, Orlando Geisel foi ao Jardim Botânico com sua mulher Alzira para falar com Ernesto sobre o discurso que ele faria dia 15, mas a conversa não terminou bem. Os irmãos tinham pontos de vista diferentes: Orlando achava que Ernesto deveria falar pouco, mas ele discordou e os dois acabaram se desentendendo. 

Com tudo isso acontecendo, ainda não havia uma grande encrenca, mas duas aconteceram depois. A primeira em um jantar, onde se falou sobre censura de jornais, e a outra depois do jantar, onde a conversa de Golbery com os irmãos Júlio e Ruy Mesquita foi gravada. Geisel não queria encrencas.   

A grande encrenca    

A mãe de todas as encrencas começou em outubro de 1973, pois o mundo começou a deslizar num período de instabilidade. Grande culpa disso foi o preço do petróleo. Geisel se preocupou com distribuição, refino e petroquímicas, deixando em segundo plano as pesquisas e explorações, com isso veio à crise e um aumento de 70% no preço do barril, que subiu de 2,90 dólares para 5,12.   

No Oriente Médio, a tensão era grande. O chamado “Brasil Grande” tentava resolver a guerra do petróleo com a retórica do Milagre, mas o racionamento e o aumento dos preços internos preocupavam. E essa preocupação era necessária, pois havia pressões inflacionárias e o preço do barril de petróleo não parava de subir, nesse momento custando 11,65 dólares. 

A Ditadura começou a “pular” por precisão. O Brasil estava encrencado. Para tentar melhorar a situação, acreditaram que Delfim Netto seria o “Milagre Brasileiro”, mas não fora, ele também fracassou. Nada estava se acertando e o petróleo destruiu o milagre.   

O Poder 

A equipe   

Em 67 dias, vinte ministros foram escolhidos. O começo das hipóteses foi em maio de 1972 e Heitor Ferreira registrou todo processo minuciosamente. Circularam 124 nomes, alguns ficaram e outros saíram, mas Geisel teve tempo para formar seu ministério e calma para analisar cada um desses nomes e fazer suas escolhas.  

 A tropa  

Geisel escolheu os ministros do Exército com algumas dificuldades. Exemplo disso é que ele teve que analisar a vida de Vicente de Paulo Dale Coutinho, chefe do Estado-Maior, e de Sylvio Couto Coelho da Frota, comandante do I Exército, para se decidir qual seria melhor. Muitas eram as mudanças que Geisel pensou em fazer no Exército, mas não fez nenhuma.  

O cofre   

Depois do Exército, as decisões ficaram por conta da Economia. Geisel pediu aos possíveis escolhidos papéis com as idéias deles para o futuro governo, depois analisou. Decidiu quem ficaria nos ministérios.  

A esplanada   

Dia 21 de fevereiro, fim da tarde de quinta, o coronel Moraes Rego leu a composição dos ministros, sendo Golbery o primeiro anunciado. Não houve respeito na ordem desta lista.  

Jogo de fichas   

A desordem da lista passou despercebida, mas foi proposital. Golbery, Heitor, Moraes Rego e Geisel embaralharam os nomes para evitar que, por exemplo, Falcão fosse o primeiro.A ditadura tinha futuro.    

Esse troço de matar   

Geisel conversou com Dale Coutinho e o convidou para o Ministério do Exército. Para Geisel o país tinha que melhorar ou ir para uma ditadura, mas ele não acreditava que o Exército tinha condições de durar na ditadura.  

Coutinho queria unificar a doutrina como empregava no IV Exército, ele acreditava que matar seria a solução e, apesar de Geisel achar que essa idéia era barbaridade, ele concordou que teria que ser assim.

 

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